Quem Somos

e porque fazemos o que fazemos

“Deixe me dizer a vocês primeiro como foi ser uma mulher Negra e poeta nos 60 para adiante. Significa ser invisível, ser realmente invisível. Significa ser duplamente invisível como mulher feminista negra e significa ser triplamente invisível como lésbica negra e feminista.”

Audre Lorde  foi uma escritora caribenha-estadunidense, poeta e ativista. Descrevia a si mesma como Negra, Lésbica, Feminista, também “Guerreira” e “Mãe”. Escreveu diversos ensaios em questões como racismo, feminismo, sexualidade. Lorde se dedicou a discutir a diferença não somente entre grupos de mulheres mas também diferenças conflitivas no âmbito individual. “Eu sou definida como Outro em cada grupo que eu faço parte” ela declarou. “A que
está fora, ambamente força e fraqueza”
. Ela se descrevia ao mesmo tempo como um “continuo de mulheres” e um “concerto de vozes” dentro dela mesma.

Nós do Coletivo Audre Lorde de Lésbicas e Bissexuais Negras e Afrodescendentes somos parte deste continuo de mulheres, um concerto de vozes, a força e a fraqueza.  Assim como Lorde lutamos por um feminismo que não foque apenas em experiências e valores de mulheres de classe média, acreditamos que a ideia de oposição binária entre homens e mulheres é simplista e oculta diferenças dentro da categoria mulher relacionadas a classe e raça; embora a binarização seja necessária para apresentar a ilusão de um inteiro e sólido unificado grupo, a categoria de mulher é ela mesma cheia de diferenças.

As experiências das mulheres negras são distintas das mulheres brancas, assim como de forma parecida as experiências de lésbicas e bissexuais não são consideradas como sendo o “coração” das políticas feministas. Essa posição de “Irmã Estrangeira”, a que está fora, como Lorde mesma coloca, também é experimentada nos enfrentamentos com acadêmicas feministas brancas. Lorde chamou pela necessidade de superar a ideia de que colocar o feminismo branco para pensar seu racismo seja divisionista, ainda hoje repensar atitudes é necessário. Ela diz “O que você ouve na minha voz é fúria, não sofrimento. Raiva, não autoridade moral”.

Coletivo Audre Lorde, acredita que as questões raciais, o sexismo, a lesbofobia e a transfobia são problemas que não afetam apenas as mulheres negras, mas toda a sociedade, são fontes de injustiça , de intolerância, de violência, de fraturas, enfraquecendo todo o potencial de solidariedade e sociabilidade de todos nós como seres humanos.

Estamos aqui para desconstruir o formato engessado de fazer politica, para buscar o dialogo, ocupar espaços que nos são negados. Gênero e raça são eixos estruturantes dos padrões de desigualdades e exclusão social no Brasil. É impossível eliminar esses padrões de desigualdade e exclusão sem enfrentar – ao mesmo tempo – as desigualdades e a discriminação de gênero e de raça. Uma vez reconhecida que a lésbofobia/bifobia racial existe ela deve ser denunciada e combatida, principalmente entre nosso movimento negro e feminista.

Queremos através deste coletivo colocar em prática a verdadeira libertação sexual, falar sobre nós, descobrir quem somos, nos fazermos presentes, incorporar valores históricos de nossa etnia as nossas vivências, lutar contra as opressões machista, classista e racista, lutar para que a sociedade brasileira assuma definitivamente sua identidade pluriracial, e que esta sociedade também seja representada por nossos corpos políticos de Mulheres Negras Lésbicas e Bissexuais!